Mudanças na medicina: entenda como indicadores de gestão estão mudando o diagnóstico por imagem

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Gustavo Khattar de Godoy

Em um mercado cada vez mais especializado, serviços de diagnóstico por imagem que desejam sustentar crescimento consistente ao longo do tempo precisam ir além de indicadores puramente financeiros, incorporando métricas específicas de qualidade assistencial e eficiência operacional em sua rotina de gestão. Gustavo Khattar de Godoy, médico com formação em diagnóstico por imagem e doutorado pela Unicamp, tem reforçado a importância de acompanhar sistematicamente indicadores que capturem tanto a experiência do paciente quanto a produtividade das equipes técnicas, reconhecendo que decisões estratégicas fundamentadas exclusivamente em dados financeiros tendem a negligenciar aspectos determinantes para a sustentabilidade de longo prazo da instituição.

Quais indicadores de qualidade merecem acompanhamento prioritário?

A qualidade assistencial em serviços de diagnóstico por imagem pode ser monitorada por meio de indicadores como tempo médio entre realização do exame e disponibilização do laudo, taxa de repetição de exames por problemas técnicos e concordância entre laudos emitidos por diferentes profissionais em situações de segunda opinião interna. 

De acordo com Gustavo Khattar de Godoy, a taxa de discordância diagnóstica entre profissionais funciona como ferramenta valiosa de educação continuada, permitindo identificar padrões de interpretação que possam se beneficiar de discussão coletiva e alinhamento técnico entre a equipe médica responsável pelos laudos. Instituições que tratam essa discordância como oportunidade de aprendizado conseguem construir cultura de melhoria contínua mais efetiva ao longo do tempo.

A satisfação de pacientes, mensurada por meio de pesquisas estruturadas aplicadas após a realização de exames, também representa indicador relevante, capturando aspectos como conforto durante o procedimento, clareza das orientações recebidas e tempo de espera percebido, elementos que influenciam diretamente a reputação da instituição perante a comunidade que atende. Serviços que ignoram essa dimensão da experiência do paciente, mesmo mantendo excelência técnica, frequentemente enfrentam dificuldades de retenção e recomendação espontânea por parte de pacientes atendidos.

Como medir produtividade sem comprometer qualidade técnica?

A avaliação de produtividade em serviços de diagnóstico por imagem exige equilíbrio cuidadoso entre volume de exames processados e manutenção da qualidade técnica exigida para cada interpretação, evitando que metas de produtividade excessivamente agressivas comprometam a atenção necessária para identificar achados sutis, porém clinicamente relevantes. Como reforça Gustavo Khattar de Godoy, indicadores de produtividade devem sempre ser interpretados em conjunto com indicadores de qualidade, já que o aumento isolado de volume processado, sem correspondente manutenção de padrões de acurácia diagnóstica, representa sinal de alerta sobre possível comprometimento da qualidade assistencial oferecida pela instituição. 

Essa combinação de indicadores complementares evita que a gestão baseada exclusivamente em números de produtividade gere incentivos inadequados para a equipe técnica responsável pela interpretação dos exames. A distribuição equilibrada de carga de trabalho entre membros da equipe, considerando tanto complexidade quanto volume de exames atribuídos a cada profissional, também contribui para sustentar produtividade consistente sem gerar sobrecarga excessiva capaz de comprometer, ao longo do tempo, tanto a qualidade técnica quanto o bem-estar da equipe médica envolvida.

Gustavo Khattar de Godoy
Gustavo Khattar de Godoy

Qual o papel dos indicadores financeiros na gestão do serviço?

Indicadores financeiros, como custo por exame realizado, margem de contribuição por modalidade de imagem e prazo médio de recebimento de convênios, permanecem essenciais para garantir a sustentabilidade econômica de qualquer serviço de diagnóstico por imagem. Gustavo Khattar de Godoy pontua que a análise de rentabilidade por modalidade de exame permite identificar quais investimentos em novos equipamentos apresentam maior potencial de retorno financeiro. Essa análise, quando conduzida de forma isolada dos demais indicadores discutidos, no entanto, pode induzir decisões que priorizam rentabilidade de curto prazo em detrimento de investimentos importantes para a qualidade assistencial de longo prazo.

O acompanhamento de prazos de recebimento junto a diferentes operadoras de saúde também representa indicador crítico para a saúde financeira da instituição, especialmente diante da complexidade e da variabilidade observada nas condições contratuais praticadas por diferentes convênios médicos no mercado brasileiro atual.

Como construir uma cultura organizacional orientada a indicadores?

A implementação bem-sucedida de um sistema de indicadores de gestão depende menos da sofisticação tecnológica das ferramentas utilizadas para coleta e análise de dados e mais da construção de uma cultura organizacional que valorize genuinamente a tomada de decisão baseada em evidências concretas sobre o desempenho da instituição. Gustavo Khattar de Godoy evidencia que essa cultura se constrói progressivamente, por meio de comunicação transparente sobre os indicadores acompanhados e envolvimento ativo de diferentes níveis da equipe na definição de metas realistas e no acompanhamento periódico dos resultados alcançados.

Desse modo, instituições que impõem indicadores de forma unilateral, sem envolvimento das equipes diretamente responsáveis por influenciar esses resultados, frequentemente enfrentam resistência que compromete a efetividade de todo o sistema de gestão implementado. A maturidade na utilização de indicadores de gestão representa, cada vez mais, elemento diferencial entre instituições que conseguem crescer de forma sustentável e aquelas que enfrentam dificuldades recorrentes para equilibrar qualidade assistencial, satisfação de equipes e viabilidade financeira ao longo do tempo. Mostra-se, então, que Instituições que desejam estruturar ou aprimorar seu painel de indicadores de gestão podem buscar apoio técnico especializado para definir métricas adequadas ao seu porte e à complexidade de sua operação.

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