Dança do ventre e o fortalecimento da autoestima

Lara Montavia
Lara Montavia
Daugliesi Giacomasi Souza

Na concepção de Daugliesi Giacomasi Souza, a dança do ventre altera a relação da praticante com o próprio corpo antes de qualquer ganho técnico relevante, e o efeito costuma aparecer nas primeiras semanas de aula. O movimento exige contato direto com regiões que muitas mulheres aprenderam a esconder, e olhar o quadril no espelho durante a repetição já produz deslocamento.

A explicação não está em discurso motivacional, e sim em conquistas pequenas e verificáveis. Quem consegue isolar o quadril depois de semanas de tentativa acumula prova concreta de competência, e a percepção de capacidade construída dessa maneira tende a se sustentar melhor do que elogios recebidos de fora, que desaparecem no dia seguinte. O ganho passa a ser medido pelo que o corpo executa.

O corpo deixa de ser medida de aprovação

O espelho da sala cumpre função diferente da esperada. Em vez de servir para avaliar silhueta, passa a informar se o movimento saiu como deveria, se o ombro subiu sem necessidade, se o peso ficou no pé correto. A atenção migra da aparência para a função, e a mudança de foco alivia parte da autocrítica que acompanha muitas alunas nas primeiras aulas.

Segundo destaca Daugliesi Giacomasi Souza, a diversidade de corpos nas turmas favorece esse processo, porque a dança do ventre acomoda alturas, idades e biotipos bastante distintos sem exigir um padrão físico específico. Mulheres na faixa dos cinquenta anos convivem com adolescentes na mesma sala, e ambas executam o mesmo movimento com resultado válido. A comparação perde sentido quando os pontos de partida são tão distintos.

Uma prática nascida em círculos femininos

Conforme descreve Daugliesi Giacomasi Souza, o ambiente das aulas preserva um traço antigo da dança, marcado por encontros entre mulheres em ocasiões festivas. A ausência de disputa muda a dinâmica do grupo, porque ninguém avança à custa da colega, e a aluna iniciante recebe correção sem sentir que está sendo comparada com quem já domina a sequência.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Em várias regiões do Oriente Médio e do norte da África, a dança ocupou espaços domésticos e celebrações familiares muito antes de chegar aos palcos. No Brasil, ganhou difusão com a imigração árabe e com a popularização televisiva, e as escolas mantiveram o formato coletivo, em que a praticante mais experiente orienta a novata sem hierarquia rígida.

Autoestima construída não depende de aplauso

Existe diferença clara entre gostar da própria imagem e confiar na própria capacidade. A primeira oscila conforme comentário alheio, fotografia e comparação com desconhecidos. A segunda nasce de repertório adquirido com esforço, e o repertório permanece disponível até nos dias de insatisfação com o espelho, quando nada no corpo parece estar no lugar. A confiança adquirida na repetição não depende do humor do dia.

À luz do que frisa Daugliesi Giacomasi Souza, apresentações e encontros de dança funcionam como etapa de consolidação, nunca como prova de valor pessoal. A aluna que sobe ao palco descobre que sustentou alguns minutos de coreografia diante de desconhecidos, e a lembrança passa a servir de referência em outras situações de exposição, dentro e fora da dança.

Progresso técnico e percepção de si na dança do ventre

O avanço técnico oferece marcos objetivos que a autoestima aproveita. Um mês para soltar o quadril, outro para coordenar braços e deslocamento, depois a primeira coreografia inteira memorizada. A sequência de metas cumpridas produz histórico pessoal de superação, e o histórico resiste melhor às fases de desânimo do que qualquer frase de incentivo repetida na hora errada.

Como considera Daugliesi Giacomasi Souza, a postura adquirida na dança termina visível fora da sala, em gestos cotidianos como caminhar com a coluna alinhada e ocupar espaço sem recolher os ombros. O corpo treinado para sustentar movimentos amplos mantém parte dessa organização durante o dia, e a mudança física acaba percebida por quem convive com a praticante. Vídeos antigos de aula tornam a diferença de eixo evidente.

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