Levantamentos recentes do setor mostram que a maior parte das empresas brasileiras já afirma ter uma cultura de inovação consolidada ou em consolidação. O número cresce ano após ano, mas boa parte dessas iniciativas ainda se concentra em eventos pontuais, como um hackathon anual ou um laboratório de inovação isolado do resto da operação, sem conexão direta com o planejamento estratégico da empresa.
Segundo Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, essa concentração em eventos pontuais é o motivo mais comum pelo qual programas de inovação perdem força depois do lançamento inicial, mesmo quando começam com bastante entusiasmo do time e apoio explícito da liderança. O ciclo se repete todo ano, sem que a empresa acumule aprendizado real de uma edição para a outra.
Por que a maioria dos programas de inovação perde força?
Empresas que criam áreas ou comitês de inovação sem definir objetivos claros costumam ver esses esforços perderem relevância em poucos trimestres. Sem uma meta específica conectada à estratégia do negócio, cada iniciativa vira um projeto isolado, avaliado por critérios diferentes e sem continuidade entre um ciclo e outro, o que dificulta comparar resultados e decidir onde vale a pena investir mais.
O problema raramente está na falta de ideias ou de vontade das equipes. Está na ausência de um sistema que sustente essas ideias depois da fase inicial de entusiasmo, quando a rotina volta a pressionar o time para entregas mais urgentes e a inovação some da agenda até o próximo evento programado no calendário corporativo.
O que muda quando um problema começa em aberto?
Equipes que iniciam um projeto de inovação a partir de um problema ainda em aberto, sem definição rígida da solução, apresentam taxas de implementação maiores do que as que partem de uma especificação fechada desde o início. Esse formato deixa espaço para ajustes conforme o time aprende mais sobre o problema real, em vez de forçar a equipe a seguir um plano definido antes de qualquer teste com usuários reais.

Como observa Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, especificações fechadas funcionam bem para projetos de manutenção, mas travam a inovação porque forçam a equipe a validar uma solução antes de entender completamente a questão que ela deveria resolver. O resultado costuma ser um produto tecnicamente correto, mas distante do problema que motivou o projeto no início.
2026 marca a virada da experimentação para o resultado mensurável
O período de testar tecnologias novas apenas para acompanhar tendência está perdendo espaço para a cobrança por resultado mensurável, sobretudo depois de anos de investimento pesado em experimentação sem retorno claro. Empresas que tratam tecnologia como estratégia de negócio, e não como vitrine, ganham capacidade de escalar iniciativas com previsibilidade orçamentária e de prazo, algo que raramente acontece quando a inovação depende só do entusiasmo pontual de um time isolado.
Conforme sustenta Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, métricas como retorno sobre investimento, taxa de adoção interna e tempo de desenvolvimento até o primeiro resultado prático deveriam acompanhar qualquer iniciativa de inovação desde o primeiro dia, não apenas na avaliação final do projeto, quando já é tarde para corrigir o rumo sem custo adicional.
Inovação contínua exige estrutura, não apenas eventos isolados
Trilhas de carreira definidas para quem trabalha com inovação ajudam a manter esses profissionais dentro da função, em vez de migrarem para áreas mais tradicionais assim que percebem falta de critério claro de evolução. Sem esse caminho, a empresa perde continuidade justamente nas pessoas que acumulam mais conhecimento sobre o processo e recomeça esse aprendizado do zero a cada troca de equipe.
Como ressalta Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, tratar inovação como sistema permanente, com papéis definidos e revisão periódica de método, é o que separa empresas que sustentam ganhos reais das que reiniciam o mesmo ciclo de entusiasmo a cada ano, sem nunca acumular a maturidade que transformaria essas iniciativas em vantagem competitiva de fato.