Vagas que exigem conhecimentos em inteligência artificial quase triplicam no Brasil

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Número de oportunidades que pedem competências relacionadas à IA passou de 63,3 mil para 182,3 mil em apenas um ano, enquanto tecnologia ganha espaço em diferentes profissões e muda as habilidades procuradas pelas empresas.

A inteligência artificial está provocando uma transformação cada vez mais visível no mercado de trabalho brasileiro. O número de vagas que exigem conhecimentos relacionados à tecnologia passou de 63,3 mil em 2024 para 182,3 mil em 2025, segundo dados do Barômetro Global de Empregos em IA 2026, elaborado pela PwC.

O avanço representa aproximadamente 188% em apenas um ano, fazendo com que o volume de oportunidades praticamente triplique. Mais do que revelar uma expansão das carreiras diretamente ligadas à tecnologia, os números mostram que conhecimentos sobre inteligência artificial começam a ser procurados também em funções tradicionais.

A participação das vagas relacionadas à IA no conjunto dos anúncios de emprego também aumentou. Essas oportunidades representavam 1,1% dos anúncios no Brasil em 2024 e chegaram a 3,6% em 2025, mostrando como a tecnologia passou rapidamente a ocupar espaço nas exigências das empresas.

Inteligência artificial deixa de ser habilidade apenas de profissionais de TI

Uma das principais transformações provocadas pela popularização da IA está justamente na diversidade de profissionais que passam a utilizar essas ferramentas. O conhecimento tecnológico não fica mais restrito a programadores, engenheiros de software ou cientistas de dados.

Ferramentas inteligentes já estão presentes em atividades relacionadas a finanças, vendas, atendimento ao consumidor, recursos humanos, indústria, saúde, agronegócio e planejamento empresarial. Dessa forma, profissionais capazes de combinar conhecimento específico de sua área com domínio de novas tecnologias podem ganhar vantagem competitiva.

Esse movimento lembra transformações anteriores provocadas pela informática. Conhecimentos que inicialmente eram considerados especializados acabaram se tornando competências básicas para diferentes ocupações. A expectativa de especialistas é que algo semelhante aconteça com a inteligência artificial.

Empresas mais expostas à IA registram avanço em produtividade

O Barômetro Global de Empregos em IA 2026 analisou mais de 1 bilhão de anúncios de emprego em seis continentes para identificar como a inteligência artificial está modificando as relações de trabalho e as competências procuradas pelas organizações.

Os resultados indicam que empresas mais expostas à inteligência artificial apresentam desempenho superior em alguns indicadores. O crescimento do quadro de profissionais nessas organizações chegou a 52%, enquanto empresas com menor exposição à tecnologia registraram expansão de 36%.

Também foram identificadas diferenças na evolução dos salários. Nas organizações mais expostas à IA, o crescimento salarial alcançou 24%, contra 17% entre aquelas menos expostas à tecnologia.

IA também muda perfil de quem procura primeiro emprego

Ao mesmo tempo em que surgem novas oportunidades, a automação começa a modificar determinadas funções de entrada. Tarefas repetitivas e operacionais estão entre as atividades que podem ser realizadas ou aceleradas por sistemas inteligentes.

Uma pesquisa da Gartner citada em reportagem publicada nesta terça-feira aponta que 22% das lideranças de Recursos Humanos consultadas já deixaram de contratar candidatos para determinados cargos de entrada em razão da automação proporcionada pela IA.

Isso não significa necessariamente o desaparecimento do primeiro emprego. O movimento observado é também de transformação das competências exigidas dos candidatos. Em vez de executar apenas tarefas operacionais, profissionais em início de carreira podem precisar demonstrar capacidade de utilizar ferramentas inteligentes para pesquisar, analisar informações e resolver problemas.

Saber trabalhar com IA pode virar competência básica

A rápida expansão das vagas reforça a importância da qualificação profissional. Saber utilizar uma ferramenta de inteligência artificial não significa apenas produzir textos ou fazer perguntas a um chatbot, mas compreender como incorporar esses sistemas ao fluxo de trabalho de maneira produtiva.

Dependendo da profissão, isso pode envolver análise de dados, automação de tarefas, pesquisa, geração de conteúdo, programação, atendimento ao cliente, planejamento ou apoio à tomada de decisões.

Também ganham importância habilidades humanas que a tecnologia não substitui facilmente. Pensamento crítico, criatividade, comunicação, capacidade de interpretar informações e conhecimento especializado continuam fundamentais para avaliar resultados produzidos por sistemas automatizados.

Mercado de trabalho passa por período de adaptação

Os números mostram que a discussão sobre inteligência artificial e emprego não pode ser resumida apenas à substituição de trabalhadores por máquinas. Ao mesmo tempo em que determinadas atividades são automatizadas, novas competências passam a ser valorizadas e outras oportunidades aparecem.

Para trabalhadores, estudantes e profissionais em busca de recolocação, acompanhar essa transformação pode se tornar cada vez mais importante. A tendência é que habilidades relacionadas à inteligência artificial apareçam em um número crescente de processos seletivos, inclusive para funções que anteriormente não tinham relação direta com tecnologia.

O salto de 63,3 mil para 182,3 mil vagas em apenas um ano é um sinal da velocidade dessa mudança no Brasil. Se o movimento continuar, saber trabalhar em conjunto com sistemas de inteligência artificial poderá deixar de ser um diferencial restrito a determinadas carreiras para se tornar uma competência profissional comum em diferentes setores da economia.

Fonte principal — Tribuna Online

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