Em janeiro de 2026, dados da Serasa Experian apontaram 15,9 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais em situação de inadimplência. O número representa um salto expressivo em relação aos 9,2 milhões registrados em 2020 e supera os 14,1 milhões de 2025. Por trás desse crescimento está, em boa parte, o crédito consignado: modalidade com as menores taxas de juros do mercado, desconto automático no benefício e aprovação facilitada, o que a torna simultaneamente atrativa e perigosa para quem não conhece seus limites. O Sindnapi, Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, acompanha esse cenário com preocupação crescente e entende que informação financeira é, hoje, tão urgente quanto qualquer outro direito do aposentado.
O consignado não é um produto ruim por natureza. Suas taxas são muito mais baixas do que as do cartão de crédito comum ou do cheque especial, e o desconto automático elimina o risco de esquecimento ou atraso no pagamento. O problema surge quando o produto é contratado em excesso, sob pressão de instituições financeiras que têm interesse em ocupar a margem disponível do beneficiário. Um aposentado pode comprometer até 45% de sua renda com parcelas de empréstimos consignados. Quando esse limite é atingido com múltiplos contratos, sobra muito pouco para alimentação, remédios e contas essenciais.
Quer saber mais sobre o crédito consignado? Confira o artigo a seguir!
Por que os idosos são o principal alvo das abordagens financeiras agressivas?
Uma pesquisa acadêmica publicada em 2025 na Revista Eletrônica de Administração apontou correlação entre falta de conhecimento financeiro, baixa escolaridade e endividamento desmedido na terceira idade. Isso não é coincidência: gerações que não tiveram acesso a educação financeira formal ao longo da vida ficam mais expostas a argumentos persuasivos, ofertas com prazos curtos e promessas de benefícios imediatos. Ao mesmo tempo, o Senado Federal debate uma proposta que proíbe propagandas de consignado nos primeiros 180 dias após a concessão do benefício previdenciário, um período em que o aposentado recém-filiado ao INSS costuma ser intensamente abordado.
O superendividamento na terceira idade tem consequências que vão além da conta bancária, explica o Sindnapi – Sindicato Nacional dos aposentados, pensionistas e Idosos, Quando as parcelas consomem a maior parte da aposentadoria, o idoso começa a cortar gastos em saúde: adia consultas, reduz medicamentos e abre mão de exames preventivos. O ciclo é conhecido: a dívida agrava a saúde, e a saúde deteriorada reduz a capacidade de gerir as finanças. Dentre esse panorama, as pesquisas mostram que o impacto emocional do endividamento nessa faixa etária também é severo, com aumento de casos de ansiedade e depressão entre idosos com dívidas acumuladas.

O Novo Desenrola Brasil e o que mudou em 2026
Em maio de 2026, o governo federal publicou a Medida Provisória 1.355, que institui o Novo Desenrola Brasil e traz novas regras para o crédito consignado no âmbito do Executivo federal. Entre as mudanças, estão a redução gradual da margem consignável, a ampliação dos mecanismos de fiscalização e maior transparência nas contratações. A medida reconhece algo que organizações de defesa do consumidor vêm apontando há anos: o modelo atual de crédito consignado favorece a contratação impulsiva e dificulta que o beneficiário compreenda o custo real do que está assinando.
Para quem já se encontra com dívidas acumuladas, o Novo Desenrola abre um caminho de renegociação. Mas o mais eficaz continua sendo a prevenção, evidencia o Sindicato Nacional dos Aposentados. Dessa forma, antes de contratar qualquer empréstimo, o aposentado deve calcular exatamente quanto da aposentadoria restará após o desconto e avaliar se esse valor é suficiente para cobrir todas as despesas fixas do mês. Um segundo contrato de consignado deve ser considerado apenas se o primeiro já estiver quitado ou muito próximo do fim. E qualquer oferta que chegue por telefone, aplicativo de mensagens ou visita domiciliar merece desconfiança antes de atenção.
Como a educação financeira protege quem vive de renda fixa?
Quem vive de aposentadoria ou pensão tem uma característica financeira específica: a renda é previsível e não vai crescer. Isso transforma o planejamento financeiro em algo ainda mais estratégico do que para quem tem renda variável. Conhecer exatamente quanto entra, quanto vai para compromissos fixos e quanto sobra para despesas variáveis é o ponto de partida para qualquer decisão de crédito consciente. Essa lógica parece simples, mas exige disciplina e, muitas vezes, orientação externa.
O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos entende que proteger a renda do aposentado é parte do mesmo trabalho que defender seus direitos previdenciários. Superendividamento não é apenas um problema financeiro: é uma ameaça à saúde, à autonomia e à dignidade de quem trabalhou a vida inteira para ter estabilidade. Informação clara, acesso à orientação e vigilância sobre as práticas do mercado de crédito são ferramentas tão importantes quanto qualquer benefício assistencial; por isso deixamos o contato do Sindnapi a seguir!
Sede Nacional: (11) 3293-7500 | WhatsApp: (11) 92007-9443.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez