Energia eólica onshore e offshore: Saiba quais são as diferenças na instalação, no custo e na manutenção

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Odair José Mannrich

A energia eólica onshore e a offshore parecem, à primeira vista, duas variações da mesma tecnologia, mas escondem diferenças que afetam diretamente custo, prazo e viabilidade de um projeto, apresenta Odair José Mannrich, engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental. Essa confusão gera expectativas equivocadas sobre investimentos no setor. Logo, compreender essas diferenças é essencial antes de qualquer decisão prática.

Com isso em mente, a seguir, comparamos as duas modalidades sob quatro ângulos centrais: processo de instalação, estrutura de custos, desafios construtivos e rotina de manutenção. Continue lendo e entenda essas nuances antes de avaliar um projeto eólico.

Como funciona a instalação em terra e no mar?

A instalação onshore ocorre em terrenos continentais, o que simplifica o transporte de componentes por rodovias e reduz a dependência de embarcações especializadas. Guindastes convencionais erguem as torres, e o acesso por estradas permite entregas fracionadas conforme o cronograma da obra avança.

Já a instalação offshore exige embarcações de grande porte, fundações submarinas e cabos que conectam as turbinas à rede em terra. Ademais, segundo Odair José Mannrich, o transporte marítimo impõe janelas climáticas rígidas, o que torna o cronograma mais sensível a atrasos do que qualquer obra terrestre.

Quais os custos envolvidos em cada modalidade de energia eólica?

O custo de instalação onshore costuma ser menor porque dispensa embarcações, fundações submersas e cabeamento subaquático. Nesse ponto, Odair José Mannrich expõe que a proximidade de rodovias e redes elétricas já existentes reduz gastos logísticos, o que explica por que grande parte dos parques eólicos brasileiros ainda se concentra em terra firme. Entre os fatores que mais pesam no orçamento da energia offshore estão:

  • Fundações e estruturas resistentes à corrosão marinha;
  • Embarcações especializadas para transporte e instalação;
  • Cabeamento submarino de longa distância;
  • Logística de manutenção em alto mar.
Odair José Mannrich
Odair José Mannrich

Todavia, esses custos elevados são compensados, em parte, pela maior intensidade e constância dos ventos marítimos, que aumentam a geração de energia ao longo do ano. Isso torna o retorno mais previsível no longo prazo, mesmo com investimento inicial superior.

Os desafios construtivos que separam as duas abordagens

Em terra, o principal desafio é o estudo do solo e a logística de transporte de pás cada vez maiores, que exigem rotas específicas e, por vezes, adaptação de estradas. Ainda assim, a obra segue um ritmo mais previsível, sem depender de condições marítimas. No mar, a fundação precisa resistir à corrosão salina, às correntes e ao impacto de ondas, além de suportar o peso de estruturas maiores para captar ventos mais fortes. Aliás, qualquer atraso na janela climática pode adiar a obra por semanas.

Manutenção: rotina em terra versus operação marítima

A manutenção onshore é mais simples porque técnicos chegam de carro e realizam inspeções regulares sem grandes restrições. Peças de reposição também circulam com mais agilidade, o que reduz o tempo de parada das turbinas. Já na offshore, cada intervenção depende de embarcações, condições do mar e equipes especializadas em trabalho em altura sobre a água. Dentre o que visualiza Odair José Mannrich, isso encarece a manutenção e, muitas vezes, obriga a esperar dias por uma janela climática segura antes de qualquer reparo.

O equilíbrio entre custo e desempenho define o futuro da energia eólica

A escolha entre a energia eólica onshore e a offshore não se resume a uma questão técnica isolada, mas a um cálculo que envolve terreno disponível, orçamento e horizonte de retorno do investimento. Cada modalidade responde a um cenário diferente, e nenhuma substitui integralmente a outra, conforme destaca o engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich.

Dessa maneira, o avanço da energia eólica tende a combinar as duas frentes, aproveitando a simplicidade da instalação em terra e o potencial de geração do mar. No final, essa combinação, mais do que uma tendência, é o caminho mais racional para expandir a matriz eólica sem depender de uma única solução.

Compartilhe este artigo