À medida que o envelhecimento avança, é comum que uma pessoa idosa passe a precisar de acompanhamento para diferentes questões de saúde. Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, chama atenção para um ponto importante desse cenário: ter vários especialistas envolvidos não significa, necessariamente, receber um cuidado melhor.
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Quando vários especialistas são necessários?
A presença de diferentes profissionais pode ser adequada quando existem necessidades específicas que exigem conhecimentos distintos. Um idoso pode precisar, por exemplo, de acompanhamento cardiológico por uma condição cardiovascular, avaliação oftalmológica para alterações na visão e suporte fisioterapêutico diante de dificuldades de mobilidade. Nesses casos, cada área contribui para uma parte importante do cuidado e amplia a compreensão sobre diferentes aspectos da saúde.
O problema aparece quando essas consultas não se comunicam. O paciente pode receber orientações que não consideram outros tratamentos em andamento ou ter dificuldade para entender qual recomendação deve ser priorizada. Por isso, a quantidade de especialistas não deve ser analisada isoladamente. Na visão do Doutor Yuri Silva Portela, mais importante do que acumular consultas é garantir que elas estejam conectadas e que as decisões considerem o conjunto das necessidades do paciente.
O que acontece quando cada profissional olha apenas para uma doença?
O cuidado fragmentado pode fazer com que uma questão clínica seja analisada sem considerar seus efeitos sobre outras áreas. Um medicamento pode ser adequado para determinada condição, mas provocar tontura ou sonolência e, consequentemente, aumentar o risco de queda. Da mesma forma, uma restrição alimentar pode interferir na manutenção do peso ou na rotina de uma pessoa que já apresenta outras necessidades.

Tal como expressa o Doutor Yuri Silva Portela, esse tipo de situação mostra a importância de reunir as informações antes de tomar novas decisões. Histórico médico, medicamentos utilizados, capacidade funcional, alimentação, saúde mental e rotina precisam fazer parte da avaliação quando são relevantes para o caso. Dessa maneira, cada intervenção pode ser analisada dentro de um contexto mais amplo.
Quem pode ajudar a organizar o acompanhamento? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela
A geriatria pode exercer um papel importante na coordenação do cuidado de pessoas que apresentam múltiplas necessidades. Isso não significa substituir automaticamente outros especialistas, mas ajudar a organizar as informações e identificar quais questões realmente exigem acompanhamento específico. A partir dessa visão geral, torna-se possível estabelecer prioridades e evitar que o tratamento seja conduzido de maneira desconectada das condições e dos objetivos individuais do paciente.
Conforme alude o Doutor Yuri Silva Portela, essa organização também pode reduzir a sobrecarga para o próprio paciente e para sua família. Muitas consultas, exames e prescrições podem tornar a rotina difícil de administrar, principalmente quando existe alguma limitação física ou cognitiva. Um acompanhamento bem estruturado busca concentrar esforços no que oferece benefício concreto para aquela pessoa e facilitar a continuidade dos cuidados ao longo do tempo.
Como uma equipe multidisciplinar pode melhorar o cuidado?
Em determinadas situações, diferentes profissionais precisam participar de forma integrada. Médico, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, enfermeiro e outros especialistas podem contribuir conforme as necessidades identificadas. O Doutor Yuri Silva Portela elucida que a vantagem não está apenas na quantidade de profissionais, mas na possibilidade de relacionar informações que, isoladamente, poderiam parecer desconectadas e construir uma visão mais completa sobre a saúde do idoso.
Uma dificuldade para caminhar, por exemplo, pode estar relacionada a alterações musculares, efeitos de medicamentos, problemas de equilíbrio ou receio de cair. Avaliar apenas um desses aspectos pode limitar a compreensão do problema. Quando diferentes áreas trabalham em conjunto, aumenta a possibilidade de identificar os fatores envolvidos e estabelecer uma estratégia mais coerente com as necessidades e limitações apresentadas no dia a dia.