Alerta do Sindnapi: saiba como o consignado pode se tornar um pesadelo!

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Sindicato Nacional dos Aposentados

Em janeiro de 2026, dados da Serasa Experian apontaram 15,9 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais em situação de inadimplência. O número representa um salto expressivo em relação aos 9,2 milhões registrados em 2020 e supera os 14,1 milhões de 2025. Por trás desse crescimento está, em boa parte, o crédito consignado: modalidade com as menores taxas de juros do mercado, desconto automático no benefício e aprovação facilitada, o que a torna simultaneamente atrativa e perigosa para quem não conhece seus limites. O Sindnapi, Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, acompanha esse cenário com preocupação crescente e entende que informação financeira é, hoje, tão urgente quanto qualquer outro direito do aposentado.

O consignado não é um produto ruim por natureza. Suas taxas são muito mais baixas do que as do cartão de crédito comum ou do cheque especial, e o desconto automático elimina o risco de esquecimento ou atraso no pagamento. O problema surge quando o produto é contratado em excesso, sob pressão de instituições financeiras que têm interesse em ocupar a margem disponível do beneficiário. Um aposentado pode comprometer até 45% de sua renda com parcelas de empréstimos consignados. Quando esse limite é atingido com múltiplos contratos, sobra muito pouco para alimentação, remédios e contas essenciais.

Quer saber mais sobre o crédito consignado? Confira o artigo a seguir!

Por que os idosos são o principal alvo das abordagens financeiras agressivas?

Uma pesquisa acadêmica publicada em 2025 na Revista Eletrônica de Administração apontou correlação entre falta de conhecimento financeiro, baixa escolaridade e endividamento desmedido na terceira idade. Isso não é coincidência: gerações que não tiveram acesso a educação financeira formal ao longo da vida ficam mais expostas a argumentos persuasivos, ofertas com prazos curtos e promessas de benefícios imediatos. Ao mesmo tempo, o Senado Federal debate uma proposta que proíbe propagandas de consignado nos primeiros 180 dias após a concessão do benefício previdenciário, um período em que o aposentado recém-filiado ao INSS costuma ser intensamente abordado.

O superendividamento na terceira idade tem consequências que vão além da conta bancária, explica o Sindnapi – Sindicato Nacional dos aposentados, pensionistas e Idosos, Quando as parcelas consomem a maior parte da aposentadoria, o idoso começa a cortar gastos em saúde: adia consultas, reduz medicamentos e abre mão de exames preventivos. O ciclo é conhecido: a dívida agrava a saúde, e a saúde deteriorada reduz a capacidade de gerir as finanças. Dentre esse panorama, as pesquisas mostram que o impacto emocional do endividamento nessa faixa etária também é severo, com aumento de casos de ansiedade e depressão entre idosos com dívidas acumuladas.

Sindicato Nacional dos Aposentados
Sindicato Nacional dos Aposentados

O Novo Desenrola Brasil e o que mudou em 2026

Em maio de 2026, o governo federal publicou a Medida Provisória 1.355, que institui o Novo Desenrola Brasil e traz novas regras para o crédito consignado no âmbito do Executivo federal. Entre as mudanças, estão a redução gradual da margem consignável, a ampliação dos mecanismos de fiscalização e maior transparência nas contratações. A medida reconhece algo que organizações de defesa do consumidor vêm apontando há anos: o modelo atual de crédito consignado favorece a contratação impulsiva e dificulta que o beneficiário compreenda o custo real do que está assinando.

Para quem já se encontra com dívidas acumuladas, o Novo Desenrola abre um caminho de renegociação. Mas o mais eficaz continua sendo a prevenção, evidencia o Sindicato Nacional dos Aposentados. Dessa forma, antes de contratar qualquer empréstimo, o aposentado deve calcular exatamente quanto da aposentadoria restará após o desconto e avaliar se esse valor é suficiente para cobrir todas as despesas fixas do mês. Um segundo contrato de consignado deve ser considerado apenas se o primeiro já estiver quitado ou muito próximo do fim. E qualquer oferta que chegue por telefone, aplicativo de mensagens ou visita domiciliar merece desconfiança antes de atenção.

Como a educação financeira protege quem vive de renda fixa?

Quem vive de aposentadoria ou pensão tem uma característica financeira específica: a renda é previsível e não vai crescer. Isso transforma o planejamento financeiro em algo ainda mais estratégico do que para quem tem renda variável. Conhecer exatamente quanto entra, quanto vai para compromissos fixos e quanto sobra para despesas variáveis é o ponto de partida para qualquer decisão de crédito consciente. Essa lógica parece simples, mas exige disciplina e, muitas vezes, orientação externa.

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos entende que proteger a renda do aposentado é parte do mesmo trabalho que defender seus direitos previdenciários. Superendividamento não é apenas um problema financeiro: é uma ameaça à saúde, à autonomia e à dignidade de quem trabalhou a vida inteira para ter estabilidade. Informação clara, acesso à orientação e vigilância sobre as práticas do mercado de crédito são ferramentas tão importantes quanto qualquer benefício assistencial; por isso deixamos o contato do Sindnapi a seguir!

Sede Nacional: (11) 3293-7500 | WhatsApp: (11) 92007-9443.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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